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Linhas que se conectam, delimitam espaços, se rompem e unem pontos. Linhas muitas vezes invisíveis, mas presentes em estruturas que criam imagens, desenhos, trajetos, ligações. Pensar as linhas em uma perspectiva coreográfica é investigar como as linhas do corpo e as linhas presentes em um espaço de interação com o corpo, podem desenhar narrativas temporais, espaciais e emocionais. De forma concreta, as linhas presentes no ambiente em que vivemos, desafiam o nosso olhar e delimitam fisicamente espaços de existência e ocupação. De forma poética e abstrata, estamos ligados emocionalmente tecendo juntos a grande teia de memórias que compartilhamos. Costuramos essa teia, remendamos partes soltas, sobrepondo camadas e desatando nós ou os apertando ainda mais. Há pontos de intersecção, rupturas e uma memória coletiva, que nos amarra uns aos outros, que nos envolve como humanidade. Essa Trama de relações e caminhos traçados, que chamamos de Vida, é o ponto de partida deste trabalho que pretendo desenvolver. A linha, como fio condutor de uma narrativa, evoca muitas perspectivas que podem estar presentes em uma composição poética e coreográfica. A começar pelas próprias linhas presentes no corpo. As rugas que sinalizam a passagem do tempo, as cicatrizes que contam um pouco das dores que tivemos e as linhas que o corpo é capaz de desenhar, atravessar e habitar com movimento. Percursos podem ser traçados no espaço de forma imaginada ou física e uma movimentação muito específica pode surgir nessas áreas delimitadas pela linha. Me interessam tanto as conexões, quanto as rupturas. Os cruzamentos das diferentes vertentes criativas presentes no universo das artes cênicas, também são linhas a serem pensadas durante este processo criativo. Luz, espaço, corpo, som, cenografia e figurino tecem o produto artístico. Mesmo um solo, é, geralmente, o resultado da conexão entre estas linhas. Este projeto tem como propósito transformar essas reflexões, experimentações e referências em uma performance em formato solo com forte interação com a cenografia que deverá trazer a materialidade da linha, da teia, do casulo, para interagir com o corpo em cena. O trabalho coreográfico será composto por três movimentos de aproximadamente dez minutos cada um, com subtítulos para cada ato que chamei de: Linhagem, Desa-fio e Nós. Pretendo investigar estas relações para além do corpo, simbolizadas pela linha, que pode ser física ou imaginária e que se desfia em muitas pontas em uma narrativa reflexiva sobre caminhos traçados, ligações emocionais e a passagem do tempo.
Parte do projeto Confluências, Reverberações é uma obra tecida a partir da relação de Wura Moraes com os arquivos do seu pai Mário Calixto (1960-1997) e do seu tio Miltércio Santos (1963-2024), ambos bailarinos. Este trabalho engloba uma tríade, abraçando as presenças e ausências que a compõem, interessada em explorar a dimensão do subconsciente e as memórias inscritas no seu corpo, convidando-as a emergir das sombras e a dançar. Reverberações é o espaço onde Wura evoca elos gerados em conexões entre a vida, a criação, o tempo em espiral, a ancestralidade, e questiona os conceitos de identidade, deslocação e memória, usando o seu corpo como ponto de partida. Wura dança com o desconhecido para celebrar os que nos precederam e os que virão. Uma coprodução com o Teatro Municipal do Porto, com estreia no Festival DDD 2026, e com o Teatro Viriato, com residências artísticas, conversas e oficinas no Espaço do Tempo, Casa da Dança, CRL, Balleteatro e parceiros da rede Grand Luxe. Período da Residência: 30 de março a 2 de abril