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Orelha de Deus

Tiago Sarmento com os alunos do 2.º ano de Teatro do balleteatro Escola Profissional

Um aeroporto imaginário, onde um casal não avança, nem recua, com medo de prosseguir as suas vidas após a perda de um filho de dez anos. Na incapacidade de lidarem com o luto, refugiam-se num universo próprio, quase absurdo, na procura por uma saída sem nunca enfrentarem o cerne do problema.

 Dizer o que pensamos. E pensar no que fazemos. E manter a compostura. E avaliar a conjuntura. E contar vitórias. E contar espingardas. E escolher batalhas. E engolir sapos. E ir devagar. E fazer durar. E não fazer o bem. Sem olhar a quem. E olhar para trás. E cortar a meta. E chegar ao topo. Numa linha recta. E aproveitar. E rejubilar. E rectificar. E consertar. E esperar à sombra. E rezar à santa. E gozar a vida. E pintar a manta. E passar bem. E comer devagar. E dormir descansados. E manter a calma. E deitar foguetes. E manter a fé. E encarar os factos. E andar para a frente. E admitir. E confessar. E começar de novo. E tomar as rédeas. E cantar de galo. E fazer gala. E mudar de assunto. E viver à grande. E depois vamos olhar para o ar. Sem mexer uma palha. E respirar fundo. E tê-los no sítio. E encostar. Relaxar. E teremos fezes no futuro. Na riqueza, na pobreza. Na saúde e na doença. E o árbitro vai apitar. De corpo e alma.

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