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Brevemente...
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Projecto construído em colaboração com os alunos do 3º ano do curso de dança do balleteatro escola profissional, tendo por base o trabalho coreográfico de Filipa Francisco e o imaginário individual, utilizando as linguagens da dança contemporânea.
Depois de variadas experimentações em palco na mesma temática, fui criando uma especial empatia com o Lugar vazio, e a sua simplicidade tornou-se numa complexidade um tanto inquietante e interessante por descobrir. Materializar aquele Lugar deixou de ser apenas roubar o seu próprio espaço, mas dar-lhe um significado.

Um solo com o meu corpo e materiais no espaço. Centrado na minha visão sobre a realidade actual. Desconstruindo um lugar viciado e perdido no tempo, criando assim um espaço de cor e matéria sem história.
"Elogio da classe política portuguesa (seguido de uma canção popular)" (2004) foi a primeira e última peça que Rui Catalão apresentou em Portugal. Desde então o seu trabalho concentrou-se na Roménia. Cinco anos e meio depois, Rui Catalão apresenta a estreia do seu primeiro solo: Dentro das Palavras. A palavra inglesa character significa personalidade e personagem. Se imaginarmos um solo intitulado My character, estão criadas as condições para uma peça que pode consistir num retrato psicológico na primeira pessoa (quem sou), mas também denunciar o dispositivo fictício (o que represento). Na língua portuguesa, personalidade e personagem, tal como ser e representar, são termos antitéticos. O objectivo deste trabalho é apagar a linha que os separa.

RUI CATALÃO DENTRO DAS PALAVRAS representa um balanço de dez anos a trabalhar na dança, a privar com bailarinos, e teve origem durante o período em que viveu na Roménia e trabalhou no CNDB (Centrul National al Dansului din Bucuresti). Reflecte sobre o seu progressivo desligamento da linguagem falada como principal meio de expressão, mas também como a vida do corpo sofre essa mudança. As dicotomias isolamento-comunicação, ocultação-revelação, fazem parte da matriz deste projecto, que procura trazer à superfície um dos dilemas das artes e do pensamento contemporâneo que melhor sobreviveram ao fim do modernismo: a relação entre verdade e ficção, entre personalidade e personagem, entre privado e público.
Texto Ana Mendes
Versão Cénica e Encenação Luís Mestre

Um homem e uma mulher vivem numa garagem de um prédio de luxo. Pela conduta do lixo, chegam-lhes as novidades do dia.
 
HOMEM         Pena não termos aquecimento ao contrário.
MULHER         Lá isso é.
HOMEM         Como é que se chama?
MULHER         O quê?
HOMEM         O aquecimento ao contrário?
MULHER         Não aquecimento

O Projecto B, em desenvolvimento desde Janeiro de 2009, é um projecto de pesquisa, experimentação, sensibilização e criação coreográfica cuja força motriz é a procura da beleza, “lugar em comum” entre os seus intervenientes. Propositadamente estendido no tempo, envolve ateliers, conversas e outras actividades que visam estabelecer uma relação de partilha, troca e enriquecimento mútuo. “na terra a olhar o céu” é o primeiro de dois objectos coreográficos a serem criados no âmbito do projecto.
“Vamos representar a “Antígona”, mas “não são as palavras de Sófocles que vamos dizer”, começam por anunciar as pirandellianas personagens desta “Glosa Nova da Tragédia de Sófocles”, que António Pedro escreveu, encenou e estreou no então São João Cine, no ano de 1954, numa produção do seminal Teatro Experimental do Porto. Das inúmeras “máscaras portuguesas” de Antígona do séc. XX que poderiam fazer companhia à matriz grega – de António Sérgio a Eduarda Dionísio, de Júlio Dantas a Hélia Correia –, escolhemos aquela assinada por um agitador que inventou no Porto um projecto artístico que foi, acima de tudo, uma escola de teatro. Fiéis a esta herança, homenageamos António Pedro lendo em voz alta estas palavras onde alguém pressentiu um “grito de revolta contra o totalitarismo do Estado Novo”, leitura que Nuno M Cardoso transforma num exercício de “formação em acto”, convocando actores da Casa e alunos do Balleteatro Escola Profissional e da ESMAE. Sobre esta sua revisão da matéria dada, adverte-nos o autor: “Nesta glosa, a Grécia é apenas um pretexto cénico. A acção passa-se, realmente, no palco em que for representada, isto é: na imaginação de cada um”.
Projecto de interpretação de Alberto Magassela com o 2º ano de Teatro do balleteatro escola profissional

Perfis distintos, papéis trocados, pequenas histórias cuja unidade reside no facto de terem sido escritas pelo mesmo autor.
Como está meu caro? ...poderá constatar e com mui pena minha, que serão raras as vezes em que uma sinopse começará de modo tão galante. E contra mim falo. Se é certo que a interrogação está presente para assim manter uma linha que se pretende tecnicamente formal, é uma questão que trazia cá pra mim há já tempos - Como está meu caro? – se por ora lê esta sinopse, (e é certo que tal está a acontecer, desculpando-me de antes-mão, que sua toca em mim por possível desaforo meu, Que o não é!) bem vê que tamanha pergunta, mesmo que já feita algumas vezes por algumas pessoas em alguns dias de todos os anos, é desta feita Sincera. É uma sinopse meu caro, Uma sinopse. Serve esta sinopse, e após todas as cortesias que se impõem, para apresentar, “Varieté - em razão da variedade dos tempos e mudanças dos costumes e das Couzas” um vaudeville encarnado por dois bufões e um canastrão. Com os melhores cumprimentos. Miguel Ramos
A escrita de Al Berto (1948-1997) retoma, de algum modo, a herança surrealista, situando-se num território ambíguo entre a poesia e a prosa. Fala de um quotidiano de objectos e de pessoas, de passagem e de permanência, num registo pelo qual quase sempre perpassa uma certa solidão. O poeta chama-lhe a solidão da escrita.

Este espectáculo, quase biográfico, constrói-se dentro da casa. Uma casa de paredes diáfanas habitada pelos fantasmas delirantes de Al Berto. Dentro e fora da casa cabem o mundo e o sub-mundo.
"Se Deus está morto, então tudo é permitido". No nosso dia a dia não imaginamos que algo de mal nos possa acontecer, caminhamos na rua na esperança de que tudo continue bem e a vida siga o seu caminho. Mas subitamente algo acontece e tudo se transforma. Um acidente, uma bala perdida, Uma Pedra Contra a Cabeça. Num segundo percebemos a nossa miserável fragilidade. Tudo pode desaparecer num abrir e fechar de olhos. Tudo desaparecerá um dia num abrir e fechar de olhos…
Projecto de interpretação com os alunos do 2º ano do curso de Teatro do balleteatro escola profissional.
"O ódio não é um valor de Laramie." Para Moisés Kaufman e os membros do Tectonic Theater Project, esta mensagem afixada à entrada de um hotel daquela cidade, no Wyoming (EUA), deve ter parecido, no mínimo, contraditória. Afinal, estavam ali, pela primeira vez (uma entre muitas) para estudar um homicídio brutal. Um crime de ódio. A história é a de Matthew Sheppard, um jovem homossexual de 21 anos que, a 7 de Outubro de 1998, foi brutalmente espancado por outros dois jovens, amarrado a uma vedação, nos arredores de Laramie, e ali abandonado. A morte de Sheppard, dias mais tarde, num hospital do Colorado, chocou a América e o resto do mundo.
A história deste crime, as consequências, as repercussões e as reacções dos habitantes, contaram-nas depois na peça de teatro Laramie.
Um dispositivo que codifica as informações, que multiplica e desmultiplica fluxos de energia, memórias fragmentadas, desmultiplicadas onde o fio condutor pode ser um impulso, imagens, silêncio ou até a própria música que criam e recriam a própria concepção do tempo encarando diferentes perspectivas e escalas de significados. Breves momentos onde se encontra a modernidade despedaçada, libertando o pensamento de qualquer busca de um sentido ou de um acontecimento. Desmistifica-se o herói, tornando-o mais humano e por isso mais próximo, brincando com aquilo que se ama, se admira e às vezes quase se venera.
Uma dodecafonia social : " O indivíduo é um andamento musical que passa por meios sonoros incompatíveis, entre migalhas de tonalidade..." (Theodor w. Adorno) Face a este multiplex, só os acessos que o pensamento arranja para aí chegar serão extremamente variáveis.
O percurso evolutivo não é linear, ele é antes feito de constantes avanços e recuos, certezas e dúvidas. Apesar disso, estas pequenas e grandes contradições cada vez menos podem ter lugar no pragmatismo obrigatório da vida quotidiana. Mas felizmente estamos no teatro. Cuja natureza impermanente permite construir e reconstruir a aprendizagem de Ser, num interminável exercício de acções reais onde se podem ir percebendo as inúmeras possibilidades de existir que cada um de nós encerra.
Em " Todas as direcções " procurámos delinear as nossas limitações – imediatas e recorrentes, tanto colectiva como individualmente - para podermos, posteriormente, com elas experimentar ir mais além, procurando novas perspectivas e possibilidades, mais inclusivas e abrangentes.
Ousamos desejar que o modesto resultante desta pesquisa possa também alimentar, em quem a vê, a receptividade perante novas possibilidades, perspectivas e soluções. Enquanto experimentadores, actores e criadores, esta é uma das formas que propomos como possíveis de interacção com um mundo imprevisível e em constante evolução. E faz certamente parte do melhor que cada um de nós pode ter para oferecer.
Não podemos terminar sem deixar uma palavra a um grande mestre, exemplo de um criador enorme, em talento e generosidade. O grupo gostaria de dedicar este trabalho ao extraordinário artista João Paulo Seara Cardoso.
Em nome do colectivo, José Eduardo Silva