"Painel | de tão pouco, tanto" é um projeto processual e experimental situado entre o desenho expandido, a arte de ação e a instalação. A obra parte de um princípio de depuração, compondo-se por telas dispostas no chão em formações curvas e modulares, adaptáveis a diferentes contextos espaciais, incluindo lugares informais e de passagem.
Sobre essas superfícies desenvolve-se um gesto pictórico que integra pequenos objetos recolhidos em caminhadas e derivas, reinseridos através de um labor atento, delicado e minucioso.
A performance afasta-se da espetacularidade, afirmando-se pela repetição, pelo silêncio e pela escuta. Privilegia o vínculo, o cuidado e a partilha, instaurando uma temporalidade suspensa, configurando-se como corpo e território comum, onde o disperso se recompõe e o estar-com emerge como potência coletiva.
Fotografia: Flávio RodriguesFlávio Rodrigues é artista multidisciplinar. Começou a dançar e a desenhar com a professora e artista Alexandrina Costa em 1992. Conclui o curso profissional de dança contemporânea no Balleteatro (2003) e fez ainda formação em Dança no Ginasiano (1996), Dance Works Rotterdam (2005) e no Núcleo de Experimentação Coreográfica (2008). Frequentou o curso de Intervenção Pública e Criação de Obras Site-specific na Universidade Lusófona (2009) e frequentou o curso de DJ na escola Bimotor (2015).
Em 2012, a convite do Balleteatro participa nos encontros Les Réperages/Danse à Lille e integra, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, a residência coreográfica Correios em Movimento/Dança em Trânsito (Brasil, Rio de Janeiro). Desde 2006 que desenvolve os seus próprios projectos de criação artística, multidisciplinares e de carácter experimental, referenciando-os como partes integrantes de uma construção paulatina autobiográfica. O desenho, performance arte, criação/manipulação de objectos, som, movimento e a escultura são alguns dos mediums a que recorre, objetivando induzir o corpo/obra em erro/camuflagem/estados abstractos e poéticos, como também explorar plasticidades de natureza bruta, orgânica e/ou crua, maioritariamente provenientes de processos de recolha/respigação. A caminhada tem emergido como meritória base processual.
Os seus projectos têm sido apresentados/expostos em diferentes lugares e em parceira com diferentes estruturas — quer de apresentação, co-produção ou apoio à residência de criação — notifico o Teatro Municipal Rivoli (Porto), Ilka Studios (Hannover), 4BidGallery (Amsterdam), Rua Gaivotas 6 (Lisboa), Faculdad de Bellas Artes U.C.M. (Madrid), DevirCapa (Faro), Centro de experimentação artística CEIA (Moita) ou Festival Mandala (Wroclaw).
A par ao desenvolvimento das suas próprias criações e pesquisas, tem vindo a colaborar como figurinista, músico, cenógrafo, Performer (entre 2006 e 2017) ou assistente de ensaios com diferentes criadores tais como Né e Eugénia Vilela. Em 2024, foi artista representado pela Bienal de Cerveira.
"Painel | de tão pouco, tanto" is a procedural and experimental project situated between expanded drawing, action art, and installation. The work is grounded in a principle of distillation, comprising canvases arranged on the floor in curved and modular formations, adaptable to different spatial contexts, including informal and transitory sites.
Across these surfaces unfolds a pictorial gesture that incorporates small objects collected during walks and dérives, reintegrated through an attentive, delicate, and meticulous labor.
The performance distances itself from spectacle, asserting itself through repetition, silence, and listening. It privileges connection, care, and sharing, establishing a suspended temporality and configuring itself as a shared body and territory, where what is dispersed is recomposed and being-together emerges as a collective potential.
Flávio Rodrigues is a multidisciplinary artist. He began dancing and drawing with the teacher and artist Alexandrina Costa in 1992. He completed the professional contemporary dance course at Balleteatro (2003) and also trained in Dance at Ginasiano (1996), Dance Works Rotterdam (2005), and the Núcleo de Experimentação Coreográfica (2008). He attended the course in Public Intervention and Site-specific Work Creation at Universidade Lusófona (2009) and completed a DJ course at Bimotor School (2015).
In 2012, at the invitation of Balleteatro, he participated in the Les Réperages/Danse à Lille meetings and, with the support of the Calouste Gulbenkian Foundation, took part in the choreographic residency Correios em Movimento/Dança em Trânsito (Brazil, Rio de Janeiro). Since 2006, he has been developing his own multidisciplinary and experimental artistic projects, framing them as integral parts of a gradual autobiographical construction.
Drawing, performance art, creation/manipulation of objects, sound, movement, and sculpture are some of the media he uses, aiming to induce the body/work into error, camouflage, or abstract and poetic states, as well as to explore plasticities of a raw, organic, and/or crude nature, mostly derived from processes of collection and scavenging. Walking has emerged as a significant procedural base in his work.
His projects have been presented/exhibited in various venues and in collaboration with multiple structures — including Teatro Municipal Rivoli (Porto), Ilka Studios (Hannover), 4BidGallery (Amsterdam), Rua Gaivotas 6 (Lisbon), Facultad de Bellas Artes U.C.M. (Madrid), DevirCapa (Faro), Centro de Experimentação Artística CEIA (Moita), and Festival Mandala (Wroclaw). Alongside his own creations, he has collaborated as a costume designer, musician, set designer, performer (2006–2017), and rehearsal assistant with various creators, including Né and Eugénia Vilela. In 2024, he was an artist represented by the Bienal de Cerveira.
"Saudade" é um solo contemporâneo experimental, construído a partir de um princípio de questionamento e contemplação. A performance explora o fluxo contínuo e íntimo de perguntas que atravessam tanto a intérprete como o público.
? Como é sentir o ato de estar sentado?
? Qual será o meu próximo pensamento?
? Posso abrandar?
Desta forma, a peça transforma-se num diálogo vivo entre a reflexão interior e a presença exterior, criando um espaço partilhado de consciência e de desejo silencioso.
Fotografia: Jan Balut
Polina Skarga é uma artista do movimento que combina dança contemporânea, performance física e práticas energéticas na sua arte. Polina licenciou-se na Universidade Borys Grinchenko de Kiev, obtendo o mestrado em coreografia. Durante o período de 2017 a 2022, foi intérprete ativa, integrando grupos de dança contemporânea ucranianos como Gruppirovka "CULT" e "PIZDEC". Nos mesmos anos, participou em diversas colaborações musicais comerciais como dançarina (grupo "KAZKA", trabalhos em vídeo do realizador Alan Badoev, entre outros).
Desde 2022, Polina continua o seu percurso nos Países Baixos como intérprete independente. O campo da improvisação em dança evoluiu para uma metodologia própria, que Polina denomina "Revelation Dance Methodic", baseada no princípio de abertura e no conhecimento profundo escondido na consciência corporal. Atualmente, a artista está a escrever um livro sobre este método.
Nos últimos dois anos, Polina foi intérprete das obras de Marina Abramović durante uma retrospectiva no Stedelijk Museum, Amesterdão, e participou num workshop de duas semanas da linguagem de movimento Gaga em Israel (agosto de 2023). O Rotterdam RIDCC Dance Duet Festival convidou Polina para integrar o pré-júri nas temporadas de 2024 e 2025. A intérprete possui uma sólida experiência em plataformas de dança experimental, tendo iniciado no Contemporary Dance Duel (Kiev) e continuado no festival anual Open Your Mind (Países Baixos).
"Saudade" is an experimental contemporary solo, built on a principle of questioning and contemplation. Performance explores the continuous, intimate flow of questions that move through both the performer and the audience.
? How does it feel to sit?
? What will be my next thought?
? Can I be slower?
In such way of development the piece becomes a living dialogue between inner reflection and external presence, creating a shared space of awareness and quiet longing.
Polina Skarga is a movement artist who combines contemporary dance, physical performance and energy practices in her art.
Polina graduated from the Borys Grinchenko Kyiv University with a Master degree in choreography. In this period, of 2017-2022, she was an active performer - member of Ukrainian contemporary dance groups as Gruppirovka "CULT" and "PIZDEC". In the same years, there is a participation in various commercial musical collaborations as a dancer. (Group "KAZKA", video works by director Alan Badoev, etc.).
Since 2022, Polina continues her journey in the Netherlands as an independent performer. The field of dance improvisation has evolved into its own methodology, which Polina calls "Revelation dance methodic", based on the principle of openness and deep knowledge hidden in body consciousness. The artist is currently writing a book about this.
Over the past two years, Polina was a performer of Marina Abramović's works during a retrospective at the Stedelijk Museum, Amsterdam, and attended a two-week Gaga movement language workshop in Israel (August 2023). The Rotterdam RIDCC Dance Duet Festival has invited Polina to be part of the pre-jury in the 2024 and 2025 seasons. The performer has a strong background in the experimental dance battle platform. Starting her experience at Contemporary dance duel (Kyiv) and continuing it at the annual Open Your Mind festival (Netherlands).
Uma obra coreográfica que explora os ritmos da vida moderna. Através do movimento, a artista encarna diversos estados de existência — desde a rotina quotidiana até explosões de emoção intensa.
A peça observa a natureza cíclica das nossas vidas, onde estados de espírito em constante mudança, a antecipação, momentos de elevação e de descanso se combinam numa imagem universalmente reconhecível.
A dança funciona como uma metáfora para os padrões de vida que nos ligam a todos, contemplando como as experiências pessoais do tempo se tornam parte da nossa jornada humana compartilhada.
É um convite ao espectador para pausar e ouvir o ritmo em que todos vivemos.
Solo Choreography by Maksim KuznetsovMaksim Kuznetsov (nascido a 29 de março de 2001, residente em Herne, Alemanha) é intérprete e artista de dança com uma sólida formação em Breaking e dança experimental. Quatro vezes campeão russo de Breaking e vencedor de múltiplas competições internacionais, incluindo Open Your Mind (2024, 2025), tem apresentado e criado trabalhos por toda a Europa.
No palco, colaborou com o ISH Dance Collective, o Concertgebouworkest e a Storioni Symphony Orchestra, assim como em peças como Home, The End, Same Love e Cracks. Formado na Universidade Estatal de Bashkir e no grupo folclórico "UZhi", Maksim combina presença cênica poderosa, linguagem de movimento única e profundidade emocional, estabelecendo uma ponte entre estilos urbanos e performance teatral.
A choreographic work exploring the rhythms of modern life. Through movement, the artist embodies various states of existence — from mundane routine to bursts of intense emotion.
The piece observes the cyclical nature of our lives, where shifting moods, anticipation, moments of uplift, and rest combine into a universally recognizable image.
The dance serves as a metaphor for the life patterns that connect us all, contemplating how personal experiences of time become part of our shared human journey. It is an invitation for the viewer to pause and listen to the rhythm in which we all live.
Maksim Kunzetsov (born March 29, 2001, based in Herne, Germany) is a performer and dance artist with a strong background in Breaking and Experimental dance. A four-time Russian Breaking Champion and winner of multiple international competitions, including Open Your Mind (2024, 2025), he has performed and created works across Europe. His stage credits include collaborations with ISH Dance Collective, Concertgebouworkest, and Storioni Symphony Orchestra, as well as pieces such as Home, The End, Same Love, and Cracks. Trained at Bashkir State University and the folk group "UZhi," Maksim combines powerful stage presence, unique movement language, and emotional depth, bridging street styles with theatrical performance.
O corpo, território sagrado. O corpo, casa onde habitam memórias, silêncios, vozes e deuses. Em "Um corpo chamado templo", o gesto torna-se oração, o movimento é liturgia, e cada respiração ergue uma arquitetura invisível — feita de carne, espírito e herança.
Entre o divino e o profano, entre o que permanece e o que se perde, nasce uma dança que procura reencontrar o sagrado nas ruínas do tempo.
Inspirado em I Coríntios 6:19 — O corpo é o templo do Espírito Santo —, este solo parte da ideia de que o corpo é o primeiro templo, o mais vulnerável e o mais potente. Através dele, evocam-se também os templos moçambicanos — físicos, espirituais e simbólicos — que têm sido desrespeitados, transformados ou esquecidos.
"Um corpo chamado templo" é uma homenagem à tradição e um grito de alerta: dançar é reconstruir, é preservar, é fazer do corpo o espaço onde a cultura se reencontra com o sagrado.
Fotografia: Luís Sá
Dinís Quilavei (Maputo, Moçambique) — Formado em dança pelo ISARC (Instituto Superior de Artes e Cultura de Maputo), bailarino contemporâneo e artista multidisciplinar com uma trajetória singular marcada por feitos nas áreas da dança, música, performance e teatro. Participou em diversos projectos tendo a oportunidade de trabalhar com prestigiadas personalidades nacionais e internacionais da arte e cultura, como: Ídio Chichava (Converge+/Moçambique), Victor Hugo Pontes (Nome Próprio) e Susana Otero (Ballet Contemporâneo do Norte). Desde 2022 dedica-se também à sua própria pesquisa coreográfica criando solos, e dá formações de dança contemporânea e danças tradicionais Moçambicanas em escolas.
The body, a sacred territory. The body, a home where memories, silences, voices, and gods dwell. In "A Body Called Temple", gesture becomes prayer, movement becomes liturgy, and each breath raises an invisible architecture — made of flesh, spirit, and inheritance.
Between the divine and the profane, between what endures and what is lost, a dance is born that seeks to rediscover the sacred within the ruins of time.
Inspired by 1 Corinthians 6:19 — "The body is the temple of the Holy Spirit" — this solo departs from the idea that the body is the first temple, the most vulnerable and the most powerful. Through it, Mozambican temples are also evoked — physical, spiritual, and symbolic — many of which have been disrespected, transformed, or forgotten. "A Body Called Temple" is both a tribute to tradition and a cry of warning: to dance is to rebuild, to preserve, to make the body the space where culture reunites with the sacred.
Dinís Quilavei (Maputo, Mozambique) is a contemporary dancer and multidisciplinary artist, trained in dance at ISARC (Instituto Superior de Artes e Cultura de Maputo). He has developed a singular trajectory marked by achievements across the fields of dance, music, performance, and theatre.
He has taken part in numerous projects, working with renowned national and international figures in the arts and culture sector, including Ídio Chichava (Converge +/Mozambique), Victor Hugo Pontes (Nome Próprio), and Susana Otero (Ballet Contemporâneo do Norte). Since 2022, he has also been dedicated to his own choreographic research, creating solo works, and teaching contemporary dance and traditional Mozambican dances in schools.
Colecto do interior para fora na expectativa de o encontrar. Desfilo as minhas próprias memórias, e recupero-o através do toque.
Encaro o espaço como um berço, um amparo ao corpo. Avanço na procura dele. Embalo-o. Encontro uma estabilidade profunda, um lugar ou sensação de casa.
Durmo de corpo quente
Acordo de rosto molhado
Estendo-me, Seco
e desejo que volte para me usar de novo.
Fotografia: Inês Miranda
Rafael Ferreira (1999). Iniciou os estudos no Balleteatro Escola Profissional, e licenciou-se na Escola Superior de Dança em Lisboa. Integrou como intérprete em trabalhos de Né Barros, Flávio Rodrigues, Paula Pinto, Ricardo Ambrózio, Daniel Matos, Jonas & Lander, Roberto Olivan em co-produção com a Companhia Instável, Ivana Ivkovik — Hozek Contemporary, Davis Freeman, Júlio Cerdeira, Madalena Victorino, e Rogério Nuno Costa.
Como coreógrafo, cocriou "Em laivo" com Mariana Dias; "TAMBÉM é tEU" com Beatriz Lourenço e Catarina Marques; "SUPER-STARE" com Mariana Barbosa — apresentados em festivais nacionais e internacionais entre 2020 e 2025. O seu trabalho expande-se enquanto artista, e aglomera à sua prática a participação em curtas-metragens e vídeo dança.
I collect from the inside out, in the hope of finding him. I parade my own memories, and recover him through touch. I face space as a cradle, a shelter for the body. I move forward in search of him. I rock him. I find a deep stability, a place — or a feeling — of home.
I sleep with a warm body
I wake with a wet face
I stretch, dry myself,
and wish he would return to use me again.
Rafael Ferreira (b. 1999) began his studies at Balleteatro Escola Profissional and graduated from the Escola Superior de Dança in Lisbon. He has worked as a performer with Né Barros, Flávio Rodrigues, Paula Pinto, Ricardo Ambrózio, Daniel Matos, Jonas & Lander, Roberto Olivan in co-production with Companhia Instável, Ivana Ivković – Hozek Contemporary, Davis Freeman, Júlio Cerdeira, Madalena Victorino, and Rogério Nuno Costa.
As a choreographer, he co-created Em laivo with Mariana Dias; TAMBÉM é tEU with Beatriz Lourenço and Catarina Marques; and SUPER-STARE with Mariana Barbosa. These works were presented at national and international festivals between 2020 and 2025. His artistic practice continues to expand, incorporating participation in short films and dance films into his work.
Um rito de afirmação. Uma travessia queer.
Aqui, a dança é sobrevivência e desejo.
É política e prazer.
É corpo público e oração íntima.
Um corpo que luta, celebra e cuida.
É assim que resistimos.
Vês-me?
Fotografia: Luisa Fernandes
Rafa da Silva Sousa é uma mulher trans portuguesa, nascida no Porto a 24 de junho de 1999, bailarina, fotógrafa e modelo. Com talento, disciplina e paixão pela arte, constrói uma carreira que transcende fronteiras e desafia limites. Formada no Balleteatro, trabalhou com coreógrafos como Né Barros, Luís Marrafa, Catarina Miranda, Flávio Rodrigues, Joana Castro, Elisabete Magalhães, Pedro Prazeres, Carlos Silva, Tim Yealland, Roges Marinho e Cláudia Nwabasili.
Durante os estudos destacou-se como bailarina de competição em danças urbanas, conquistando vários prémios e representando Portugal em finais mundiais nos EUA por dois anos consecutivos. Após o ensino secundário, seguiu uma formação independente através de aulas e workshops, explorando estilos como hip hop, house dance e dancehall. Teve como mentores Vitor Kpez, Vitor Fontes, XXL, Ricky Boom, Melissa, Joana Harris, Vasco Alves, Lúcia Afonso e Bruno Abreu (house dance) e Bé Reis, Lúcia Mesquita, Lucie Ferreira, GBB, Mateus dos Anjos, Israel Alves, Jiggy, Greg Cophy e Pandimi (dancehall).
Mudou-se para Paris, onde teve o primeiro contacto com a Ballroom Scene, consolidando-se artisticamente e aprofundando os estilos que definem a sua carreira: Hip Hop, House Dance, Dancehall e, sobretudo, Vogue Fem — uma expressão que representa a sua identidade e enquanto mulher trans, reflete os valores de inclusão e diversidade da cultura Ballroom.
Atualmente, Rafa dedica-se a expandir a cena Ballroom em Portugal, partilhando a experiência adquirida na Europa e continuando a explorar a fotografia e a moda como extensões da sua expressão artística. Com uma trajetória inspiradora, afirma-se como uma referência na dança e na representação da diversidade.
A rite of affirmation. A queer crossing.
Here, dance is survival and desire.
It is politics and pleasure.
It is a public body and an intimate prayer.
A body that fights, celebrates and cares.
This is how we resist.
Do you see me?
Rafa da Silva Sousa is a Portuguese trans woman, born in Porto on June 24, 1999. She is a dancer, photographer, and model. With talent, discipline, and a passion for art, she has built a career that transcends borders and challenges limits. Trained at Balleteatro, she has worked with choreographers such as Né Barros, Luís Marrafa, Catarina Miranda, Flávio Rodrigues, Joana Castro, Elisabete Magalhães, Pedro Prazeres, Carlos Silva, Tim Yealland, Roges Marinho, and Cláudia Nwabasili.
During her studies, she stood out as a competitive dancer in urban dance styles, winning several awards and representing Portugal in world finals in the USA for two consecutive years. After secondary school, she pursued independent training through classes and workshops, exploring styles such as hip hop, house dance, and dancehall. Her mentors included Vitor Kpez, Vitor Fontes, XXL, Ricky Boom, Melissa, Joana Harris, Vasco Alves, Lúcia Afonso, and Bruno Abreu (house dance), as well as Bé Reis, Lúcia Mesquita, Lucie Ferreira, GBB, Mateus dos Anjos, Israel Alves, Jiggy, Greg Cophy, and Pandimi (dancehall).
She moved to Paris, where she had her first contact with the Ballroom Scene, further developing her artistry and deepening the styles that define her career: Hip Hop, House Dance, Dancehall, and, above all, Vogue Fem — an expression that represents her identity and, as a trans woman, reflects the values of inclusion and diversity inherent to Ballroom culture.
Currently, Rafa is dedicated to expanding the Ballroom scene in Portugal, sharing her experience gained in Europe, while continuing to explore photography and fashion as extensions of her artistic expression. With an inspiring trajectory, she stands out as a reference in dance and in the representation of diversity.
Numa poça opaca senti-me amaciar. Expiro pelas extremidades. Vou olhar para dentro destas minhas costas e através dessa janela, mudar de forma.
Fotografia: Laura Barroso
Laura Silva Barroso (n.2000) é uma artista interdisciplinar. Licenciada em BA (Hons) Fine Art Painting e pós-graduada em Marionetas e Formas Animadas, em Londres e Lisboa.
Continua sua prática no contexto dos estudos de coreografia e performance, no Institut supérieur des arts et des choréographies (ISAC), em Bruxelas.
Na sua prática explora as nuances de presença e sensibilidade, individual e coletiva. Refletindo sobre o escutar, o seu trabalho navega as dimensões poéticas e físicas do afeto e suas partilhas - incorporando os médiuns de performance, tecelagem, desenho e documentação de áudio e imagem.
In an opaque puddle, I felt myself soften. I exhale through the extremities. I will look inside my own back, and through that window, to transform.
Laura Silva Barroso (b. 2000) is an interdisciplinary artist. She holds a BA (Hons) in Fine Art Painting and a postgraduate degree in Puppetry and Animated Forms, studied in London and Lisbon.
She continues her practice within the context of choreography and performance studies at the Institut Supérieur des Arts et des Choréographies (ISAC) in Brussels.
Her practice explores the nuances of presence and sensitivity, both individual and collective. Reflecting on listening, her work navigates the poetic and physical dimensions of affection and its sharing — incorporating the mediums of performance, weaving, drawing, and audio-visual documentation.
O contraste entre o caos urbano e o silêncio interior. Uma jornada do caos ao equilíbrio, do coletivo ao individual, da desconexão à harmonia. Até que o grupo seja um organismo que desperta, um corpo coletivo que começa a pulsar no mesmo ritmo e então os fluxos alinham-se e o grupo encontra um ritmo comum sem perder a individualidade.
Fotografia: Anna Dziubinska
Formação pelo Balleteatro Escola Profissional. Já lecionou em Londres (Base Studios) e Las Vegas (New Vision). Bailarina de/para artistas como Jey V, Tay, Jimmy P, Danni Gato, Ivandro, entre outros. Formação em Londres, Los Angeles, Bulgária, com Royal Family, Kinjaz, e vários nomes internacionais importantes na indústria. Owner da Escola Alberta Lima. Coreógrafa de vários grupos de competição a destacar AL Júnior, bi-campeãs nacionais.
The contrast between urban chaos and inner silence. A journey from chaos to balance, from the collective to the individual, from disconnection to harmony. Until the group becomes an organism that awakens, a collective body beginning to pulse in unison, and the flows align, allowing the group to find a shared rhythm without losing individuality.
Trained at Balleteatro Escola Profissional. She has taught in London (Base Studios) and Las Vegas (New Vision). Dancer for artists such as Jey V, Tay, Jimmy P, Danni Gato, Ivandro, among others.
Trained in London, Los Angeles, and Bulgaria with Royal Family, Kinjaz, and several other prominent international figures in the industry. Owner of Escola Alberta Lima. Choreographer of several competition teams, notably AL Júnior, two-time national champions.
Corpo + Cidade nasceu em 2014, ano em que o balleteatro foi habitar o 5.º piso do edifício Axa. Ao longo dos anos, como parte integrante do seu projeto, o Balleteatro produziu ciclos e festivais que contribuíram para a divulgação e partilha de projetos que inscreviam a contemporaneidade. Corpo + Cidade surge nesse pulsar da vida e da arte que pode atravessar o quotidiano. No edifício Axa — com vista para a Avenida dos Aliados, o chamado coração da cidade — emergiu, portanto, a vontade de refletir essa cidade, de a contaminar artisticamente, projetando corpos dançantes e fazedores de imagens, apagando a linha que separa o público e o performer.
Idealizamos entrar na corrente do dia-a-dia dos transeuntes e, de algum modo, fazer abrandar, provocar, alegrar e fruir da dinâmica e da fluidez que é o espaço público.
O olhar sobre a Avenida, e seu movimento, a partir daquele espaço/casa, impulsionou a criação de um Festival para o espaço público. Corpo + Cidade propôs-se participar na reinvenção da cidade, possibilitando novas experiências urbanas, cruzando a dança contemporânea, as danças urbanas, a performance, o circo contemporâneo, a música e as artes plásticas.
Em 2016, Corpo + Cidade uniu forças ao DDD – Festival Dias da Dança, passando a apresentar as suas propostas de programação para espaço público, neste grande festival internacional de dança contemporânea, organizado pelo Departamento de Artes Performativas da Ágora - Cultura desporto E.M., Câmara Municipal do Porto, co organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela Câmara Municipal de Gaia.
Mais do que um programa de escolhas, Corpo + Cidade completa-se e acontece através de afinidades e de respostas a motivações de artistas que imaginam as suas criações em lugares menos comuns ou habituais. Corpo + Cidade pretende ser um encontro entre criadores, espaços (por onde o sol, o vento e a chuva nos abracem) e as suas comunidades – uma tríade em que acreditamos e que queremos que, com a experimentação e passagem do tempo, nos permita crescer e fortalecer no território daquilo a que, com tanto respeito e dedicação, chamamos Arte.
A essência de Corpo + Cidade, performance em espaço público, regressa na edição 2026, com uma diversidade de propostas/artistas, que vão habitar espaços das três cidades, Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia, regressando à aproximação natural às pessoas, num gesto consciente de convite a essa experiência de participação e de vivência de cidade.